Processos de Segurança

NR-10

Por Paola Brito de Paula - 4 de dezembro de 2017
NR-10

A eletricidade, um recurso essencial para o desenvolvimento humano, se faz necessária para o uso de aparelhos desde os pequenos notebooks e celulares até as grandes máquinas e equipamentos de uma indústria.

Por ser tão presente em nossa rotina muitas vezes esquecemos os perigos e riscos a ela associados.

Uma coisa é certa: com eletricidade não se brinca! É neste contexto que surgiu a NR-10, uma Norma Regulamentadora do Ministério do Trabalho que estabelece requisitos e condições mínimas para garantir a segurança e a saúde dos trabalhadores que interagem em instalações e serviços com eletricidade.

A NR-10 é aplicável tanto às três fases do Sistema Elétrico de Potência (SEP), como: geração, transmissão e distribuição quanto ao consumo. Além disto, deve ser observada desde a etapa de projeto passando por construção, montagem e operação até a manutenção de instalações elétricas.

Esta norma é tão ampla que não importa se o trabalho a ser desenvolvido é uma intervenção diretamente no SEP ou a elaboração do projeto elétrico de uma casa. Para ambos os casos, há instruções de segurança a serem seguidas e algumas delas abordaremos a seguir.

RISCOS E MEDIDAS DE CONTROLE

Quando expomos vidas a algum tipo de perigo, devem ser adotadas medidas que possam mitigar ou eliminar os riscos. Estas são chamadas medidas de controle e podem ser de natureza administrativa, coletiva ou individual e, ainda, devem estar integradas às demais iniciativas de saúde e segurança da empresa.

Sofrer um choque elétrico, queimaduras, vivenciar incêndios ou explosões são riscos inerentes às atividades com eletricidade. Se associamos eletricidade a outros perigos, como é o caso de serviços que envolvam altura, espaços confinados ou presença de animais peçonhentos, não podemos deixar de considerar também os riscos adicionais.

MEDIDAS DE PROTEÇÃO COLETIVA

Quando não há nenhum recurso que possa evitar a exposição do trabalhador à situações de perigo, devem ser aplicadas as medidas de proteção coletiva.

A desenergização elétrica é uma medida de proteção coletiva prioritária! Para que um circuito seja considerado desenergizado o procedimento deve ser realizado na seguinte sequência:

a) SECCIONAMENTO

É a interrupção do circuito elétrico que impede que haja passagem de corrente elétrica. Esta etapa pode ser feita através de dispositivos, como: disjuntores, chaves fusível e interruptores;

b) IMPEDIMENTO DE REENERGIZAÇÃO

Além de seccionar o circuito é necessário impedir que este venha ser reenergizado inadvertidamente. Normalmente, isto é feito através de dispositivos de bloqueio, como cadeados;

c) CONSTATAÇÃO DA AUSÊNCIA DE TENSÃO

Utilizando um multímetro, um detector de tensão ou equipamento apropriado deve ser feita a constatação de que não há diferença de potencial no ponto de intervenção;

d) INSTALAÇÃO DE ATERRAMENTO TEMPORÁRIO COM EQUIPOTENCIALIZAÇÃO DOS CONDUTORES DOS CIRCUITOS

Depois de seccionado, bloqueado e constatada a ausência de tensão é feito o aterramento. Aterrar é fazer uma ligação do circuito com a terra através da inserção de uma haste no solo proporcionando uma rota de fuga para a corrente elétrica. Isto garante que, por exemplo, se ocorrer uma descarga atmosférica ou um religamento, os elétrons irão escoar pelo sistema de aterramento;

e) PROTEÇÃO DOS ELEMENTOS ENERGIZADOS EXISTENTES NA ZONA CONTROLADA

Se em uma intervenção elétrica apenas parte do circuito precisar realmente ser desenergizado, os pontos energizados existentes na zona controlada devem ser protegidos. Isto pode ser feito, por exemplo, através de mantas isolantes;

f) INSTALAÇÃO DA SINALIZAÇÃO DE IMPEDIMENTO DE REENERGIZAÇÃO

Por fim, é feita a sinalização informando a existência de uma intervenção no sistema e indicando que este não deve ser religado.

MEDIDAS DE CONTROLE ADMINISTRATIVAS

Treinamentos, Diálogos Diários de Segurança (DDS), planejamento de atividades, procedimentos e documentos como um check-list, são exemplos de medidas administrativas.

As medidas administrativas envolvem gestão de pessoas e processos. Apesar de não eliminarem totalmente os riscos, reduzem a exposição do trabalhador a perigos em diversos momentos tornando-o mais consciente e, consequentemente, diminuindo os riscos.

A NR-10 estabelece que em todas as intervenções em instalações elétricas devem ser adotadas medidas preventivas de controle mediante técnicas de análise de risco. [10.2.1]

Uma destas técnicas é a Análise Preliminar de Risco (APR), uma análise feita antes do trabalho ser iniciado, identificando os riscos envolvidos em cada etapa da tarefa. A APR é, portanto, um documento cuja elaboração visa antecipar todas as possibilidades de acidentes e, assim, evitá-los.

MEDIDAS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL

Quando nem mesmo as medidas de proteção coletiva forem suficientes para controlar os riscos, devem ser utilizados os Equipamentos de Proteção Individual (EPI`s), conforme disposto na NR-06.

Luvas de vaqueta, luvas para baixa tensão, luvas para alta tensão e vestimenta antichama são exemplos de EPI`s que fazem parte do dia-a-dia do profissional que intervém na rede elétrica.

Cada um destes EPI’s exige cuidados especiais seja na lavagem, na utilização ou mesmo na realização de testes periódicos. Atente-se! 

É preciso ainda um cuidado redobrado com as roupas e acessórios. Cordões, anéis, zíper ou qualquer outro adereço de composição metálica não devem, de forma alguma, ser utilizados em instalações elétricas.

Quer saber mais sobre segurança em instalações elétricas? Então venha fazer um treinamento de NR-10 conosco!

 

Referências Bibliográficas

http://wwwp.feb.unesp.br/jcandido/higiene/artigos/5_eletricidade.htm

http://www.unifal-mg.edu.br/riscosambientais/node/24

NR-6 – Equipamento de Proteção Individual

NR-10 – Segurança em Instalações e Serviços em Eletricidade

NBR 5410/2008

Fonte da Imagem:

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